A Síndrome de Asperger foi amplamente utilizada para descrever um indivíduo com dificuldades na comunicação e interação social, interesses específicos e comportamento repetitivo, mas sem déficits na linguagem ou cognição.
Porém, desde a versão do manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais (DSM-5), publicada em 2013, essa terminologia deixou de ser utilizada oficialmente. Dessa forma, a nomenclatura foi alterada e agora todos os casos são classificados dentro do grande espectro do transtorno do espectro autista (TEA).
Além disso, investigações históricas sobre Hans Asperger trouxeram novas informações que levaram a questionamentos sobre o uso do nome.
Neste artigo, você vai entender:
- O que era a Síndrome de Asperger
- Por que ela foi retirada das classificações médicas
- As polêmicas envolvendo Hans Asperger
- Como essa mudança impacta a pessoa com TEA no dia a dia
O Que Era a Síndrome de Asperger?
A Síndrome de Asperger foi descrita pela primeira vez pela psiquiatra britânica Lorna Wing, em 1976, baseada nos estudos do pediatra austríaco Hans Asperger, realizados em 1944. Esse diagnóstico se tornaria amplamente conhecido após ser incluído no diagnóstico e estatístico de transtornos mentais (DSM-IV) e no CID-10, uma classificação internacional de doenças.
Os principais sintomas dessa condição envolviam:
- Dificuldade na comunicação e interação social
- Interesses restritos e intensos
- Comportamentos repetitivos
- Ausência de atraso na linguagem e desenvolvimento cognitivo
O termo foi utilizado para enquadrar um grupo específico dentro do transtorno do espectro autista, mas com um padrão de funcionamento que se diferenciava em alguns aspectos.
No entanto, com a evolução das pesquisas, houve mudanças significativas na forma de diagnosticar o TEA. Para entender melhor essas alterações, confira o artigo CID 11: Entenda as Mudanças na Classificação de Transtornos, Incluindo o Autismo, que explica as atualizações mais recentes no diagnóstico de transtornos neurodesenvolvimentais.
Por Que o Termo Síndrome de Asperger Foi Eliminado?
A eliminação desse termo do manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais ocorreu por vários motivos.
1. Diagnóstico mais preciso
Antigamente, existiam várias classificações dentro do transtorno do espectro autista, como:
- Síndrome de Asperger
- Transtorno Autista
- Transtorno Desintegrativo da Infância
- Transtorno Global do Desenvolvimento Sem Outra Especificação (PDD-NOS)
Com a nova classificação do DSM-5, todos esses termos foram unificados, sendo apenas classificados de acordo com a intensidade do suporte necessário.
Isso facilitou o acompanhamento profissional, tornando mais eficiente o processo de investigação e diagnóstico. Para entender como as dificuldades cognitivas e comportamentais se relacionam com outros transtornos, leia o artigo Deficiência Intelectual e suas Comorbidades: Compreendendo os Desafios e Soluções.
2. Facilitação do acesso a tratamentos
A unificação no diagnóstico trouxe impactos positivos para o dia a dia das pessoas com TEA. Antes, indivíduos com Síndrome de Asperger enfrentavam dificuldades para obter terapias específicas por não serem considerados autistas pelo sistema de saúde mental em alguns países, incluindo o Brasil.
Agora, com a nova classificação, o acesso ao acompanhamento profissional e à terapia adequada foi ampliado. Esse suporte é essencial para minimizar dificuldades relacionadas ao aprendizado. Para saber mais sobre como transtornos do neurodesenvolvimento impactam a alfabetização, confira o artigo Como Alfabetizar Crianças com Dificuldade de Aprendizagem e Dislexia: Mitos e Estratégias Comprovadas.
3. Controvérsias sobre Hans Asperger
Outro fator relevante foi a descoberta de novos documentos históricos sobre Hans Asperger. Durante muito tempo, ele foi chamado de pioneiro no estudo do autismo, mas investigações recentes revelaram que ele pode ter colaborado com políticas nazistas na década de 1940.
O historiador Michael Rubens Storf descobriu documentos que indicam que Asperger teria encaminhado crianças com autismo para centros onde eram submetidas a experimentos e assassinadas.
Dessa forma, muitas associações de defesa dos direitos das pessoas neurodivergentes passaram a questionar o uso do nome dele na classificação de um transtorno.
A Associação Americana de Psiquiatria, responsável pela publicação do DSM, e outros órgãos internacionais de saúde optaram por descontinuar o termo para evitar sua associação com esse passado controverso.
Impacto da Mudança para Pessoas com TEA
A retirada da Síndrome de Asperger como um diagnóstico independente trouxe impactos positivos e desafios.
Pontos positivos:
- Diagnóstico mais acessível e simplificado
- Melhor direcionamento para terapias
- Redução do estigma associado a diagnósticos separados
Desafios:
- Algumas pessoas ainda preferem ser chamadas de aspies
- Adaptação a uma nova terminologia pode ser difícil para quem recebeu o diagnóstico antes de 2013
Para entender como características do TEA podem influenciar a aprendizagem e o desempenho acadêmico, leia o artigo TDAH e Dificuldades na Escrita: Estratégias de Ensino e Aprendizagem.
Outro ponto importante é que muitos adultos diagnosticados tardiamente enfrentam dificuldades em encontrar informações sobre a sua condição, já que o termo mudou.
Por isso, é fundamental que profissionais de saúde mental estejam preparados para equipar os pacientes com informações atualizadas sobre o TEA.
Conclusão
A Síndrome de Asperger foi retirada das classificações médicas devido a avanços na ciência e também por questões éticas relacionadas a Hans Asperger.
Hoje, todas as pessoas que anteriormente se enquadravam nesse diagnóstico são classificadas dentro do transtorno do espectro autista, com níveis distintos de suporte.
É algo que gerou debates, mas trouxe benefícios ao facilitar o diagnóstico precoce e o acesso ao tratamento adequado.
Se você quer entender mais sobre TEA e se aprofundar nesse tema, conheça nossa Pós-Graduação em Autismo, onde você aprenderá sobre inclusão escolar e estratégias práticas para apoiar crianças neurodivergentes.
Quer se aprofundar ainda mais sobre por que a Síndrome de Asperger deixou de ser utilizada como diagnóstico? Assista ao vídeo completo e entenda as razões por trás dessa mudança: SÍNDROME DE ASPERGER: Por que NÃO usar mais esse termo?
Compartilhe esse artigo com quem ainda usa o termo Síndrome de Asperger, para que mais pessoas possam compreender essa mudança.